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Eu sou do Sul!

Onde quer que se vá, sempre gaúcho!! Compete a cada um de nos perpetuar a cultura e tradicao, valorizando a arte, usos e costumes do povo gaúcho! VIVA O RIO GRANDE DO SUL!!!

Eu sou do Sul!

Onde quer que se vá, sempre gaúcho!! Compete a cada um de nos perpetuar a cultura e tradicao, valorizando a arte, usos e costumes do povo gaúcho! VIVA O RIO GRANDE DO SUL!!!

Ter | 30.09.08

ORIGEM, COMPORTAMENTO E FORMAÇÃO DO GAÚCHO

alguém no mundo

Na origem deve ser lembrado, os índios de várias tribos (charruas e minuanos entre outras) que logo se adaptaram ao cavalo. A miscigenação do europeu com o índio. A escolha do abandono da civilização pelos mozos perdidos (1617). E há as atitudes e comportamentos do gaúcho que têm origem no índio. Barbosa Lessa recolhe esta informação do jesuíta Autríaco Anton Sepp (por volta de 1690) ao encontrar índios na Banda dos Charruas: “(...) um deles (índio) pediu apenas um pouquinho de uma erva paraguaia que não é outra coisa senão as folhas secas de determinada árvore, moídas em pó. Esse pó os índios deitam na água e dele bebem, e isso deve ser extremamente saudável.(...) Impossível dizer a perícia e rapidez com que os índios pegam uma rês, derrubam-na, tiram-lhe o couro e esquartejam!” E a boleadeira, que é anterior ao cavalo? Índios, vagabundos do campo, gaudérios, changadores. Em que momento começa a existência gaúcho? É impossível passar a faca sobre este variado over lap e separar as partes cirurgicamente.

 

 

 Hontang informa que na época da fundação de Buenos Aires em 1580, os cavalos abandonados por Pedro de Mendoza se multiplicaram aos milhares. Por volta de 1600 não podem ser mais contados em suas gigantescas manadas. Os Pampas até a Patagônia estavam povoados de cavalos chimarrões (cimarrones) e o povo que aí vivia tinha se tornado um povo cavaleiro. Os cavalos eram praticamente sem valor monetário e qualquer gaúcho podia ter 6 cavalos em média. O valor de cada cavalo era em média 2 dólares. A formação do gaúcho vem primariamente da existência do Pampa e dos cavalos livres.. A estância será uma conseqüência da existência de pessoal qualificado para o domínio da rês bravia (por sua vez também é abundantemente livre e sem dono (cimarrona também).
 
 Sobre esta região, uma pequena publicação de 1773 informa: “Tenemos, pues que de la abundancia de los ganados resulta la multitud de holgazanes, a quien com tanta propriedad llaman gauderios.”
 
 As estâncias domam o domador. Fixam-no. Transformam seus hábitos. E hoje sem dúvida contribuem para a continuidade de muitas tradições importantes, de centenas de anos.

 

 

O Comportamento do Gaúcho

 

Paul Rivet (o importante antropólogo francês do século passado, fundador do Museu do Homem e estudioso dos povos da América Latina) levantou uma publicação de 1833, do jornal "Le National", Paris, com várias informações sobre o gaúcho, entre as quais: "Sua fala é enérgica, rápida e irregular; falam com fogosidade e grande facilidade; são imaginativos de espírito vivaz e apaixonados. Entre eles, quem sabe montar, laçar, atirar a boleadeira e manejar uma faca, está completo. ( ) são improvisadores, vivendo as expensas das inextinguíveis tropas de gado cuja carne é a base de sua alimentação. Muitos jamais comeram pão. Sua calma habitual cede lugar a um ardor indomável quando o fogo de suas paixões se acende, o que não é raro. O sentido de independência e amor a pátria, por exemplo se manifestaram mais de uma vez entre estas gentes grosseiras de alma heróica. Quando estoura uma guerra, este povo pastoril e pacífico se volve, de golpe, em um exército de terríveis guerreiros. Seu gosto pelo baile e música mostra igualmente, que sua sensibilidade é susceptível de grande exaltação. O Gaúcho é bravo por temperamento, mas sua bravura é animal(..). São capazes (..) dos mais formosos atos de devoção e sacrifício pessoal pela causa que abraçaram. Em suas brigas, em que o jogo é a causa mais habitual, estão sempre prontos a degolar-se. À menor provocação, sacam a faca e corre sangue".

 

 

 Sarmiento em Facundo (1845) diz que na organização social do gaúcho, as mulheres guardam a casa, preparam a comida, ordenham as vacas, fabricam queijo e tecem os tecidos grosseiros que vestem. Todas as tarefas domésticas são exercidas pela mulher. Os meninos, continua Sarmiento, “exercitam suas forças e se adestram por prazer no manejo do laço e boleadeiras com que molestam e perseguem sem descanso os terneiros e cabras; quando são ginetes, e isto acontece logo que apreendem a caminhar, servem a cavalo em pequenos afazeres; mais tarde quando fortes, recorrem os campos caindo e levantando, rodando ao acaso dos biscates (...) adestrando-se no manejo do cavalo; quando a puberdade assoma, se consagram em domar potros selvagens e a morte é o castigo menor que os aguarda se em um momento lhes falta forças ou a coragem. (...) Aqui, diria, principia a vida pública do gaúcho, pois sua educação está terminada”.