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Eu sou do Sul!

Onde quer que se vá, sempre gaúcho!! Compete a cada um de nos perpetuar a cultura e tradicao, valorizando a arte, usos e costumes do povo gaúcho! VIVA O RIO GRANDE DO SUL!!!

Eu sou do Sul!

Onde quer que se vá, sempre gaúcho!! Compete a cada um de nos perpetuar a cultura e tradicao, valorizando a arte, usos e costumes do povo gaúcho! VIVA O RIO GRANDE DO SUL!!!

Ter | 30.09.08

POESIA GAÚCHA!!!

alguém no mundo
Poesia: Bochincho
 

A um bochincho - certa feita,
Fui chegando - de curioso,
Que o vicio - é que nem sarnoso,
nunca pára - nem se ajeita.
Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quireral.

 

Atei meu zaino - longito,
Num galho de guamirim,
Desde guri fui assim,
Não brinco nem facilito.
Em bruxas não acredito
'Pero - que las, las hay',
Sou da costa do Uruguai,
Meu velho pago querido
E por andar desprevenido
Há tanto guri sem pai.

 

No rancho de santa-fé,
De pau-a-pique barreado,
Num trancão de convidado
Me entreverei no banzé.
Chinaredo à bola-pé,
No ambiente fumacento,
Um candieiro, bem no centro,
Num lusco-fusco de aurora,
Pra quem chegava de fora
Pouco enxergava ali dentro!

 

Dei de mão numa tiangaça
Que me cruzou no costado
E já sai entreverado
Entre a poeira e a fumaça,
Oigalé china lindaça,
Morena de toda a crina,
Dessas da venta brasina,
Com cheiro de lechiguana
Que quando ergue uma pestana
Até a noite se ilumina.

 

Misto de diaba e de santa,
Com ares de quem é dona
E um gosto de temporona
Que traz água na garganta.
Eu me grudei na percanta
O mesmo que um carrapato
E o gaiteiro era um mulato
Que até dormindo tocava
E a gaita choramingava
Como namoro de gato!

 

A gaita velha gemia,
Ás vezes quase parava,
De repente se acordava
E num vanerão se perdia
E eu - contra a pele macia
Daquele corpo moreno,
Sentia o mundo pequeno,
Bombeando cheio de enlevo
Dois olhos - flores de trevo
Com respingos de sereno!

 

Mas o que é bom se termina
- Cumpriu-se o velho ditado,
Eu que dançava, embalado,
Nos braços doces da china
Escutei - de relancina,
Uma espécie de relincho,
Era o dono do bochincho,
Meio oitavado num canto,
Que me olhava - com espanto,
Mais sério do que um capincho!

 

E foi ele que se veio,
Pois era dele a pinguancha,
Bufando e abrindo cancha
Como dono de rodeio.
Quis me partir pelo meio
Num talonaço de adaga
Que - se me pega - me estraga,
Chegou levantar um cisco,
Mas não é a toa - chomisco!
Que sou de São Luiz Gonzaga!

 

Meio na volta do braço
Consegui tirar o talho
E quase que me atrapalho
Porque havia pouco espaço,
Mas senti o calor do aço
E o calor do aço arde,
Me levantei - sem alarde,
Por causa do desaforo
E soltei meu marca touro
Num medonho buenas-tarde!

 

Tenho visto coisa feia,
Tenho visto judiaria,
Mas ainda hoje me arrepia
Lembrar aquela peleia,
Talvez quem ouça - não creia,
Mas vi brotar no pescoço,
Do índio do berro grosso
Como uma cinta vermelha
E desde o beiço até a orelha
Ficou relampeando o osso!

 

O índio era um índio touro,
Mas até touro se ajoelha,
Cortado do beiço a orelha
Amontoou-se como um couro
E aquilo foi um estouro,
Daqueles que dava medo,
Espantou-se o chinaredo
E amigos - foi uma zoada,
Parecia até uma eguada
Disparando num varzedo!

 

Não há quem pinte o retrato
Dum bochincho - quando estoura,
Tinidos de adaga - espora
E gritos de desacato.
Berros de quarenta e quatro
De cada canto da sala
E a velha gaita baguala
Num vanerão pacholento,
Fazendo acompanhamento
Do turumbamba de bala!

 

É china que se escabela,
Redemoinhando na porta
E chiru da guampa torta
Que vem direito à janela,
Gritando - de toda guela,
Num berreiro alucinante,
Índio que não se garante,
Vendo sangue - se apavora
E se manda - campo fora,
Levando tudo por diante!

Sou crente na divindade,

Morro quando Deus quiser,
Mas amigos - se eu disser,
Até periga a verdade,
Naquela barbaridade,
De chínaredo fugindo,
De grito e bala zunindo,
O gaiteiro - alheio a tudo,
Tocava um xote clinudo,
Já quase meio dormindo!

 

E a coisa ia indo assim,
Balanceei a situação,
- Já quase sem munição,
Todos atirando em mim.
Qual ia ser o meu fim,
Me dei conta - de repente,
Não vou ficar pra semente,
Mas gosto de andar no mundo,
Me esperavam na do fundo,
Saí na Porta da frente...

E dali ganhei o mato,
Abaixo de tiroteio
E inda escutava o floreio
Da cordeona do mulato
E, pra encurtar o relato,
Me bandeei pra o outro lado,
Cruzei o Uruguai, a nado,
Que o meu zaino era um capincho
E a história desse bochincho
Faz parte do meu passado!

 

E a china - essa pergunta me é feita
A cada vez que declamo
É uma coisa que reclamo
Porque não acho direita
Considero uma desfeita
Que compreender não consigo,
Eu, no medonho perigo
Duma situação brasina
Todos perguntam da china
E ninguém se importa comigo!

 

E a china - eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande - por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou - talvez - nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas - que se banha nua
No espelho das aguadas!


Autor: Jayme Caetano Braun

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Rudy

    26.07.10

    Tem essa ai q é muito declamada!
    APARIÇÃO
    Dimas Costa

    Eu vi, sim, Nossa Senhora
    descer, descer, inda agora,
    das pontas daquele cerro...
    Foi milagre!!! Foi milagre!!!
    Pois naquele instante se ouvia
    uns toques de Ave Maria
    nos badalos de um cincerro.

    Meu Deus! Meu Deus, que ventura!
    A virgem era tão pura,
    tão bonita, tão bonita!
    E não vinha, não, com luxo,
    com retoço assim de nobre,
    vinha simples, vinha pobre,
    toda vestida de chita!

    Parecia a chinoquinha,
    com perdão do bom Jesus!
    Na fronte trazia a cruz
    das estrelas do Cruzeiro.
    Desceu, de manso, na várzea,
    cercada de pirilampos
    e atravessando esses campos
    foi sumir-se no potreiro...

    Milagre! Milagre, eu vi!
    Ninguém quis acreditar!
    É só porque eu vim contar
    do jeito mesmo que a vi:
    se eu mentisse, se eu dissesse,
    que ela estava entre tesouros,
    coberta de ricos louros,
    não diriam que eu menti!

    Acham graça, quando eu falo,
    zombam de mim, eu bem sei!
    A ninguém mais por direi,
    que enxerguei Nossa Senhora...
    Naquela várzea bonita
    toda vestida de chita
    descer, descer inda agora.

    Eu vi, sim tenho certeza
    e que alegria me deu!
    pois a mãe de Deus, como eu
    é simples e não tem luxo
    e lhes digo com franqueza,
    sem vaidade ou heresia
    decerto, como Maria
    Jesus também é gaúcho!
  • Sem imagem de perfil

    Eduarda

    11.08.10

    Oláa pois bem li alguns comentários abaixo e vi que muitas pessoas que naum são gaúchas e desrespeitam a tradição gaúcha então eu só quero dizer se vcs naum conhece a tradição naum falem pois é mais bonito uma poesia criativa e uma tradição que conserva as tradições e naum é a tradição de muitas outras terras que se dança funk e forro de um modo absurdo !!
    Valeu ! e parabéns para esses caras de pau que tem coragem de falar isso do Rio Grande do Sul estado bem quisto em todo o mundo e em todo brasil !
    Que naum precisa ter belas paisagens para ser valorizado !
    e sim é valorizado pela tradição e ser digna de um merecimento !
    Eduarda Gaúcha por onde estiver!
  • Oi Eduarda, obrigada pela visita e por ter deixado um comentário! Realmente concordo contigo, e penso que as pessoas que fazem comentários tão ignorantes como estes não merecem atenção, pois a falta de educação reflete na falta de cultura...gente que é levada pelos "modismos" porque não tem ideologia e tampouco um passado para respeitar...nós, gaúchos, somos um símbolo onde quer que estejamos, e temos muito orgulho disso!
    Um abraço do tamanho do Rio Grande!
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